A influência do estilo Dunga no mundo corporativo
Todo cuidado é pouco, não se inspire nesse tipo de liderança: Dunga e/ou Maradona!
Por Julio Sergio Cardozo
Não teve jeito. Uma sucessão de fatos nos levou a voltar para casa mais cedo e adiar novamente o sonho do hexa. Ainda bem que a era Dunga acabou, ele que fez por merecer a hostilidade de jornalistas e cidadãos brasileiros. Líder é aquele que engaja, motiva, cativa, inspira. Como Dunga pode achar que com sua postura arrogante nos convenceria de que teria credenciais para ser um líder de fato?
Ninguém vai esquecer o tremendo mal estar provocado por Dunga em seus "confrontos" com jornalistas brasileiros. Aliás, não é de hoje que Dunga mostra quem é: um sujeito mal-humorado, intolerante, ranzinza e teimoso. Lidar com pessoas então? Nem pensar. Habilidade que ele ainda não aprendeu e, pelo jeito, sequer está perto de aprender.
O que sempre me preocupou com esse mau humor declarado e praticado por Dunga, além do fato dele ouvir pouco e agir isoladamente, é que o treinador de uma seleção importante como a brasileira pode inspirar executivos a seguir o seu exemplo. Só por, em alguns momentos, ter sido bem-sucedido. E aí temos um problema conceitual importante.
Pode parecer que não torcemos pela seleção brasileira como deveríamos. Como brasileiro, nunca deixei de vibrar e torcer por ela que representa a nação em chuteiras. Mas confesso que torci contra o estilo Dunga, nunca contra a seleção. Esse não é um estilo que deve ser seguido pelo verdadeiro líder. O Dunga não é líder, ele é uma improvisação que recebeu o rótulo de seriedade, competência e persistência. Ele pode ser tudo, menos líder. Nem todo mundo nasceu pra comandar. Tem gente que cai de paraquedas, como é o caso do Dunga. Para aqueles que não sabem, Dunga sempre deixou claro à CBF que não queria ser técnico. Algo difícil de entender, não?
Quem segue o estilo Dunga ou se encaixa no estilo Dunga não é bem-sucedido, porque não consegue atrair os talentos. O Maradona, por exemplo, faz um papel muito melhor do que o dele. Ele não é técnico, nem estrategista e muito menos tático. Mas se assessora de uma comissão de celebridades que conhece bem a diferença de armar um bom time. Fica como garoto-propaganda e, na verdade, é o elemento de motivação para o time.
Esse tipo de liderança funciona melhor do que a do Dunga. Claro que há aspectos negativos no estilo Maradona. Como afirmou Pelé semana passada, "o estilo excêntrico de ser do craque argentino nem sempre é positivo para a equipe". Seu envolvimento com drogas não é um exemplo a ser adotado. Muito menos suas provocações aos times adversários, porque o tiro pode sair pela culatra.
No entanto, precisamos dar a César o que é de César. O perigo que existia na conquista do título pelo Brasil - e olha que sou torcedor contumaz da seleção - estava em se acreditar que o modelo Dunga tinha chances de ser um modelo vencedor. Se vencesse, seria graças à qualidade individual dos jogadores, dos nossos talentos de chuteiras.
Não seria reflexo de uma armação tática, porque isso nem houve. Prestem atenção, o estilo Dunga não é vencedor. Tanto que sua inabilidade em levantar o moral do time refletiu na falta de garra à seleção. Os meninos se esforçaram, mas não tiveram o mesmo entusiasmo de times como Gana, Coreia do Norte e Japão.
Uma lição também para quem escolhe líderes. A CBF em cima de seu salto alto não quer representantes que discordem de suas posições. Felipe Scolari já foi vítima dos cartolas quando em 2002, época que comandou a seleção brasileira, quis ele próprio montar o time. Sofreu retaliações.
O posto de número 1 não é para todos. Culpados? Culpados são aqueles que escolhem os dungas e maradonas da vida. Quem sofre são os milhares de sofredores. No mundo corporativo sofrem os empregados, submetidos a decisões autoritárias e equivocadas de líderes de araque. Sofrem também investidores, que dependem da empresa e nela confiam. Os prejuízos de uma má escolha são imensuráveis e difíceis de recuperar.
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